quarta-feira, 16 de março de 2011

Crenças no âmago dos padrões pessoais

por Ma Prem Zaki*


Nossas crenças formam o cerne de nossos padrões pessoais. Elas determinam para onde dirigimos nossa atenção, de onde a desviamos e como respondemos a pessoas e fatos. Elas conduzem o nosso comportamento e determinam as nossas escolhas e assim direcionam todo o curso de nossa história.

Saí daqui do Brasil com dinheiro suficiente para minhas despesas, hospedagem, alimentação, cursos e compras. Chegando à Índia, encontrei vários amigos com realidade financeira diferente da minha e durante todo o período só se falava em uma coisa: "economizar”. Deixar de comer bem para economizar, deixar de comprar coisas que gostou e ir buscar outra mais barata, deixar de viver uma série de coisas para economizar.

Em minha cabeça, automaticamente vinha um pensamento: "eles estão certos e eu estou errada. Devo também economizar, não posso estar gastando com comida e outras futilidades!" Mas em um de meus momentos de reflexão, eu senti: “mas eu posso fazer sim, eu quero comer sim, eu quero comprar sim e eu tenho dinheiro para fazer isso tudo sim!”.

E fiquei impressionada como a minha mente estava condicionada à miséria. Eu estava o tempo todo pensando: “o certo é isso mesmo... economizar”. E em nenhum momento eu pensava: “mas eu tenho dinheiro e vim aqui para fazer tudo isso. Por que eu tenho que economizar?”. Porque eu me sinto culpada por poder fazer e nunca penso: “que bom que eu posso!!”.

A crença é que você deve ter tudo com sacrifício, com luta, deixar de fazer o que gosta, mesmo com responsabilidade. E é mais bonito falar do sacrifício do que da boa aventurança!

Adoramos santos que sofreram muito, que se sacrificaram muito, que abandonaram suas vidas para servir. Achamos bonito alguém que tem algo com muito sacrifício! Muita luta! E aí pensamos: “eu sou um nada! Se você tem algo que não teve de lutar tanto você não é digno de elogios e aplausos, afinal, você não teve que se sacrificar tanto, então, você não vale tanto!”.

A crença que temos da vida é que ela é só sacrifício... foi assim que aprendemos. O sagrado é sacrifício, todas as religiões são adoradoras da morte e de uma vida de sofrimento. O Deus que acreditamos é um Deus de sacrifício e dor. Deixamos de celebrar as nossas conquistas se elas não foram tão difíceis assim.

Depois de ter passado pelos momentos de reflexão, depois de ter vivido o preconceito da bem aventurança, o preconceito da abundância, de ter sido tratada como uma pessoas diferente por poder viver e celebrar, estou aqui levando o questionamento também a vocês:

O que é a vida para você?

Para mim, ela é o objetivo de tudo. Ela o traz dentro de si para crescer, se expandir, celebrar, dançar, amar e curtir. Estes também são aspectos da vida, e não só os desafios que nos trazem momentos de dor.

Viver a vida só com dor e lamúrias é sair da VIDA, é escapar dos desafios da vida, é não encarar a vida.

A vida não tem outro objetivo senão ela mesma, porque a vida é um outro nome para Deus. A vida é tudo em tudo. Deus é alguém que você cria quando vive totalmente, intensamente com todo o coração, não deixando nada para trás.

Valorizamos problemas e dificuldades, nem pensamos se este ou aquele problema é, de fato, tão grave e tão doloroso. Não importa! O que importa é que todo desafio tem de ser ruim, pois foi assim que aprendemos. Aprendemos a desvalorizar a vida e torná-la insuportável e cruel. Nunca olhamos para os fatores difíceis da vida como um grande desafio que nos levará a um momento de celebração. Olhamos para os desafios como aspectos negativos... lobos que vão te devorar e você tem que vencê-los somente para estar vivo, sobreviver e nunca celebrar.

Estas crenças, meus amigos, nos levam a carregar problemas que não são nossos por anos de nossas vidas, por acreditarmos numa vida só de dor. Ficamos inquietos de estar bem quando o outro está mal.

Nossas crenças são o que concluímos ser verdade.

Então, sugiro agora que você pense a respeito do que acredita e veja de que forma estas crenças vem impedindo você de viver, ou melhor, de que forma estas crenças vem interferindo na forma de seu viver?

Esta experiência mudou e vai mudar ainda mais a forma de eu olhar para vida e tentar levá-la de forma mais leve e feliz!!


Estou de volta CHEIA DE VIDA!!!!!!!!!!!!!!!!!




*Zaki é terapeuta holística do espaço Pura Luz Yoga.



8 comentários:

Fernando Henrique disse...

Não é, Zaki? Eita gente pra gostar de sacrifício, de ser vítima, coitadinho, cansado de tanto trabalhar etc e tal. Eu, heim! Que chatice! Tô contigo! A vida é tudo de bom; nos foi dada por Deus, é um caminho de amor e alegria. Sofremos de graça, pois tudo que nos acontece tem uma razão de ser: nos melhorar e ensinar a caminhar com mais amor e alegria ainda. Que bom que estás de volta. Vamos celebrar a vida!!!!

Lella disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lella disse...

é isso que me pergunto tanto, porque não celebrar as coisas que vem com facilidade? se elas chegaram é porque estavam disponiveis pra vc naquele momento, porque vc é merecedor daquele evento. CANSEI da busca atraves da dor, quero saborear a alegria das coisas estarem disponiveis a mim.

Que todos nós estejamos sempre CHEIOS DE VIDA.

Anamaria Lima disse...

Nossa, só eu sei quanto tempo passei me desvalorizando por não ter tido uma vida dura, difícil. Me comparava e admirava as pessoas que passaram por muitos sacrifícios e pensava: elas, sim, são dignas". Depois de tantos anos de trabalho pessoal no Pura Luz (não é Zaki?), posso dizer sem medo que, hoje, consigo celebrar tudo aquilo que o universo me proporciona sem culpa e com muita gratidão. Só tenho a agradecer a nossa jornada juntas!

Amor e luz!!!!

Anônimo disse...

Nossa, depois do grupo de ontem e do texto de hoje preciso urgentemente mudar minhas crenças. Muitas delas me impedem de aproveitar a vida mais intensamente. Tenho muito ainda pra crescer, mas sei que chego lá!

Lella disse...

Zaki, o que fazer com essas crenças? já que fomos todos infectados por elas. atraves da meditação e do observar podemos transceder isso? ou aceitar seria o melhor caminho? aceitar o que somos, aceitar o nosso momento presente.

porque acredito que por tras de tudo que falamos ontem sempre havia uma crença.estou certa?

ontem de fato o olhar para dentro foi muito intenso.

Carolina Albuquerque disse...

Talvez o difícil mesmo seja identificar essas crenças como crenças que de fato são. nascer numa sociedade que nutre tantas crenças, dogmas cristãos, sem nunca ter a oportunidade de olhar para si mesmo, me faz sentir que estou habituada. e logo nem vejo o quanto isso afeta a minha vida... imagina, lembro que aos 12 anos, acho, fui obrigada a me confessar, pois estudava em um colégio de freiras. fiquei remoendo uma semana o que danado eu tinha de pecado. terminei confessando as briguinha que tinha com minha irmã...heheh. e o padre me curou mandando eu rezar alguns pai nossos e ave maria!

mas sinto que mesmo lendo sobre, mesmo não querendo fazer parte desse mundo que cultua essas crenças, não sei se realmente me dou conta delas...

Thereza disse...

O grupo de terca mexeu muito comigo. Muita coisa desde la continua mexendo...Muito do que foi dito fez meu coracao bater mais forte, senti muito calor e um pouco de tontura. A ficha caiu mesmo!!! Estou adorandooo estar no grupo e tem feito uma diferenca enorme na minha vida. Estou numa pressa danada para reorganizar o que ta desorganizado!!! Mas tenho uma pergunta: o que podemos fazer para desconstruir tantas crencas??