segunda-feira, 14 de março de 2011

Síndrome de Burnout: o trabalho que adoece

Ultimamente tenho me debruçado em estudos sobre as condições sociais e de trabalho atuais e seus efeitos maléficos à saúde da classe trabalhadora dos mais variados setores. É preocupante perceber como as pessoas vêm adoecendo cada vez mais devido a aspectos ligados às condições de trabalho (sobrecarga física, mobiliário, ruídos, exposição a substâncias tóxicas, etc.), como também aqueles relacionados à organização do trabalho (sobrecarga psíquica, jornada extensa, metas, remuneração por bônus, pouco descanso, pressão do tempo, horas extras, relacionamento com chefes e colegas, etc.).

Isso tudo somado a escolhas profissionais e pessoais que nada têm a ver com as verdadeiras aspirações e inclinações das pessoas têm transformado o trabalho num fator de risco à saúde. Seja médico, engenheiro, professor, operador de telemarketing ou trabalhador da construção civil, todos estão sujeitos ao adoecimento físico e/ou psíquico decorrente da rotina de trabalho a que estão submetidos.

A síndrome de Burnout, também conhecida como a Síndrome do Esgotamento Profissional, é um desses males. Embora seja comum entre aqueles profissionais que lidam diretamente com o público, como médicos, enfermeiros, professores, bancários, advogados e operadores de call centers, a síndrome pode acometer profissionais de qualquer área.

O termo burnout significa “apagar lentamente”, “deixar de funcionar por falta de energia”. A condição é o resultado crônico de um desequilíbrio entre um trabalho que exige mais do que o sujeito tem para dar, ao mesmo tempo em que proporciona menos do que ele precisa receber. Os sintomas se expressam em três dimensões: a exaustão emocional, quando a pessoa não possui mais recursos emocionais para lidar com as situações de trabalho (esgotamento); a despersonalização que é o sentimento de incompetência para resolver problemas de trabalho e o distanciamento afetivo de clientes e colegas de trabalho (esses passam a ser tratados com frieza e indiferença); e a baixa realização pessoal no trabalho caracterizado por uma tendência de se auto-avaliar de forma negativa e sentimentos de infelicidade.

Dependendo do grau de esgotamento, o tratamento pode incluirmedicamentos antidepressivos ou outros que visem tratar doenças como a hipertensão, diabetes e cirrose, que podem se instalar em decorrência da síndrome. Cuidar da saúde emocional, nesses casos, também é fundamental.

A pessoa que se perceber com os sintomas da síndrome de burnout deve recorrer não só ao médico, mas também a um profissional da área de saúde mental, a exemplo dos psicólogos. A terapia, nesses casos, será de grande ajuda na compreensão de que as doenças são apenas somatizações no corpo de problemas emocionais que sozinhos, muitas vezes, não somos capazes de identificar e reverter. Mergulhar para dentro de nós mesmos, através do autoconhecimento, é, seguramente, a chave para escolhas pessoais e profissionais saudáveis e, consequentemente, uma vida mais autêntica e feliz.

*Anamaria Lima - Psicóloga clínica formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Atende no espaço de tratamentos holísticos Pura Luz Yoga, utilizando como ferramentas auxilares os Florais Australianos, técnicas de respiração e da bioenergética.
email: analima.psi@gmail.com

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