Por Anamaria Lima
No texto que escrevi neste blog, intitulado “Quem ama tem que ceder. Será?” (para ler, clique aqui), abordei o tema da concessão que deu muito, mas muito mesmo o que falar. Fico feliz, pois a ideia é justamente abrirmos o coração para sentir tudo o que foi dito e ampliar a consciência de quem nós somos.
Muitas pessoas questionaram sobre a diferença entre ser autêntico e seguir a sua própria essência (ou seja, não fazer concessões) e ser egoísta. Afinal, nos tornamos egoístas quando não fazemos concessões?
Vamos por partes. Há um grande mal entendido de que não fazer concessões nos torna isolados e incapazes de interagir com os outros. Isso não é verdade. Sempre haverá muitos sentimentos, vontades e gostos compatíveis com as pessoas com que convivemos e que nos proporcionará momentos de integração e harmonia.
Agir de acordo com o que realmente sentimos não significa tão pouco passar por cima dos sentimentos das pessoas, ou do que elas pensam e acreditam. Significa apenas não passar por cima de si mesmo para agradar o outro. O que é bem diferente.
A não concessão de que falo, portanto, não tem o poder de violentar ninguém. Nunca. Talvez alguém possa se sentir muito ofendido porque você não compareceu a sua festa de aniversário. Talvez um parente sinta que você é muito egoísta porque não foi a um evento de família. Ou algum amigo fique chateado já que você não o convidou para uma reuniãozinha em sua casa.
Mas todos esses sentimentos não foram causados por você! O outro se sente dessa maneira por questões emocionais dele. As suas atitudes foram apenas os disparadores da baixa autoestima, do sentimento de inferioridade, abandono, rejeição etc. que a pessoa já carrega com ela. Ser autêntico – repito – jamais poderá violentar alguém.
Não é que seja impossível obter satisfação ao fazermos algo para/por alguém. Quando fazemos isso de forma livre e não porque devemos (só porque é meu pai, minha mãe, porque quem ama de verdade faz isso ou aquilo) é maravilhoso e não uma concessão!
Há pessoas que concedem tanto que perdem a própria identidade. Nem "tudo pra mim" nem "tudo para os outros"
Mas quando há algum senso de obrigação por trás das nossas ações e fazemos algo apesar do nosso cansaço ou não disponibilidade emocional naquele dia, passamos, sim, por cima das nossas necessidades para ‘agradar’ o outro. E isso não nos traz nenhum bem, muito menos àquele que foi agradado, que sem saber já tem uma dívida conosco e que cedo ou tarde será cobrada (mesmo que apenas em pensamento!!!).
O mais engraçado é que nunca paramos para questionar que ao fazer concessões sempre escolhemos ficar ‘desagradados’ para que o outro fique bem. Nos sentimos profundamente incomodados em contrariar alguém, mas contrariar a nós mesmos parece não ter problema algum. Egoísmo é não permitir que você e os outros sejam, sintam e expressem o que verdadeiramente sentem, mesmo que isso não agrade a todos.
Enfim, cedemos porque acreditamos poder fazer o outro feliz. Não temos esse poder! A responsabilidade por nossa felicidade é 100% nossa, não de outrem. E esse princípio equivocado é que nos faz justificar nossas concessões.
Por isso, o meu convite é que olhemos com cuidado e distância para as crenças que nos foram ensinadas em relação ao que é o amor verdadeiro. Só assim, teremos a chance de chegar mais perto de nós mesmos e sentir a verdade de quem somos. E esta verdade reside naquilo que sentimos e não nos conceitos que fomos levados acreditar.
Quando cada um é capaz de perceber seus próprios limites, gostos e vontades, as relações tornam-se mais harmônicas, mais prazerosas e, sobretudo, mais verdadeiras. Acordar para essa nova forma de ver a nós mesmos e os outros é muito libertador! Sem obrigações e culpas o amor certamente flui melhor.
* Psicóloga clínica formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Atende no espaço de tratamentos holísticos Pura Luz Yoga, utilizando como ferramentas auxiliares os Florais Australianos, técnicas de respiração e da bioenergética.
email: analima.psi@gmail.com
15 comentários:
Fico muito impressionada com a quantidade de pessoas que passam por cima de si mesmas ACHANDO que isso é felicidade. Meu conceito de felicidade tem sido bastante diferente do senso comum. Mas como esse tipo de conceito é relativo, o que eu sei é só que não quero viver nessa limitação da mente provocada pelas crenças que me foram passadas.
Antes eu achava que a ignorância (no sentido de não perceber as várias possibilidades na sua cara) salvava, mas hoje, mais do que nunca, eu quero é saber mais!!
Que venham mais textos do tipo!
Irretocável o texto e esclarecedor. Acredito que não haverá concessões e nem egoísmos quando houver um verdadeiro amor por si mesmo, ou seja, quem ama a si mesmo alcança a amorosidade e será naturalmente autêntico.
É isso aí Anamaria!
Vamos amar com liberdade!
Muito bom o texto!
Eu quero é mais!!!!
Queridos Hayana, Fernando e Isis,
Fico feliz que tenham gostado do texto. Viver sem fazer concessões é realmente um aprendizado e com muitas situações tênues, não é? Quanto mais íntimo de nós mesmos, mais felizes e autênticos seremos.
Sigamos juntos nessa caminhada!
Obrigada por compartilharem seus sentimentos aqui :)
Muita luz!
Aninha, eu acho que um ponto que deve ser colocado é que, muitas vezes, ACHAMOS que estamos fazendo concessões, quando, na verdade, estamos sendo bastante fiéis às nossas vontades (por vezes, até egoístas). Explico (com um exemplo bem bobo, quase infantil, mas que eu acho que ilustra): eu quero comer sushi e meu namorado quer comer pizza; eu "cedo", vamos à pizzaria. Até que ponto isto é ceder, se eu estou me beneficiando com a companhia dele (que, provavelmente, era o que eu mais queria)? Eu acho que o outro lado dessa questão que você levanta é a gente achar que é muito generoso, que cede demais, quando, na verdade, temos que reconhecer (e abraçar) esse egoísmo que é natural às pessoas. Eu acho que ceder, de fato, é algo muito mais raro do que o que nós fazemos no dia a dia - nossa tendência é procurar e tirar vantagem de qualquer situação e isso, para mim, não é ceder. O que você acha?
DESAFIOS
A vida só é possível através dos desafios.
A vida só é possível quando você tem
tanto o bom tempo quanto o mau tempo,
quando tem prazer e dor;
quando tem inverno e verão, dia e noite;
quando tem tristeza tanto quanto felicidade,
desconforto tanto quanto conforto.
A vida passa entre essas duas polaridades.
Movendo-se entre essas duas polaridades,
você aprende a se equilibrar.
Entre essas duas asas,
você aprende a voar até a estrela mais brilhante.
Osho
A partir do pensamento de Osho considero que felicidade e concessão são contraditórios sem serem oposição, podemos ser ferlizes fazendo concessões e fazermos concessões e sermos felizes. O mais importante é a Regra de Ouro "fazer aos outros o que queremos que os outros nos fazam"
Oi Rafa!
O exemplo que você colocou não é uma concessão e sim flexibilidade! Se você gosta das duas opções de comida, qual o problema em ir naquela que seu namorado quer? E ainda por cima desfrutar da companhia dele? Nenhum!
Você está certa quando afirma que mesmo fazendo concessões (algo aparentemente para outro) estamos querendo nos beneficiar, mesmo que seja pelo lado negativo, por exemplo, ir ao restaurante com medo que seu namorado se chateie. Mas ao contrário de você, chamo isso sim de ceder. E é justamente nessas pequenas coisas, que julgamos banais, que devemos ficar muito atentos.
Veja, ceder por medo de ser abandonado, rejeitado, criticado não resolve nada e não nos traz benefício algum (e nem ao outro).
Pensa comigo. O que é mais fácil: aprender a lidar com o abandono, a rejeição e a crítica ou ficarmos reféns das pessoas para evitar entrar em contato com essas questões?
Quem escolhe a segunda opção fatalmente continuará fazendo concessões, cobrando do outro aquilo que deu sem vontade e o pior não evitando a crítica, o abandono ou a rejeição.
Então fazer concessões nunca é positivo para nós mesmos, ou para aqueles a quem cedemos.
Seguimos conversando...
Luz!
Querido Tony!
Obrigada por compartilhar seus pensamentos e sentimentos aqui :)
Sabe, o meu convite aqui é para que olhemos com toda verdade da nossa alma para nós mesmos e encontremos as chaves para expressão plena daquilo que s verdadeiramente somos e sentimos.
O que será que encontraremos ao parar para sentir o que está por trás de cada concessão nossa? Só "experenciando" para saber!
Amor e luz!
ANINHA... MARAVILHOSA A ENERGIA DE EXCLARECIMENTO QUE VOCÊ TROUXE À TONA. DIRETA, FRANCA E SIMPLES.
DESDE O ÚLTIMO TEXTO AO QUAL VOCÊ SE REFERE QUE ABRIU CAMINHO PARA ESTE, TENHO QUESTIONADO - ME E COM CERTEZA A ENERGIA DE SUAS COLOCAÇÕES MUDOU ALGO EM MIM... ME DEIXA SEM CULPA POR FAZER MAIS MINHAS VONTADES DO QUE VIVER EM FUNÇÃO DOS OUTROS... E GARANTO QUE ESTE NOVO TEXTO VEM EDIFICAR A QUESTÃO DA NÃO CULPABILIDADE QUE MUITAS VEZES ABRAÇAMOS POR NÃO FAZER A VONTADE DO OUTRO.
OBRIGADA E MUITA LUZ EM SEU TRABALHO!
Querida Paula,
Meu coração fica radiante em saber que você está conseguindo chegar mais perto de você, compreendendo suas necessidades e sentimentos. Isso não tem preço! E certamente constrói relações mais saudáveis e autênticas.
Siga firme na sua caminhada para dentro e obrigada por compartilhar!
Amor e luz!
é verdade a gente precisa se conhecer e sermos verdadeiros conosco e certamente "cederemos" na hora certa ou seja quando nós desejarmos e será mesmo sem perceber pois essas coisas são expontaneas e não forçadas
Ser você mesmo,sempre teve um preço! O melhor é saber que não precisamos da aprovação de ninguém para nos aceitarmos como somos. Se assim não for, não temos amigos reais, ou eles não merecem estar conosco.
Mas vale lembrar que existem os momentos em que temos que ser políticos, ou seja, devemos fingir um sorriso ou coisa do tipo. Quando se trata por exemplo de um emprego e tal.
Olá anônimo,
Obrigada por dividir seus pensamentos aqui :)
Amor e luz!
Sim Ana.
Na outra ponta estão os que cedem
como forma de contrôle.
Com certeza, Danilo. O controle do outro está sempre envolvido nas concessões.
Quando nós nos sacrificamos em nome de alguém, certamente queremos que o outro se sacrifique por nós.
E o que é isso, se não controlar o comportamento espontâneo e verdadeiro (ou seja, a liberdade) de alguém?
Obrigada por sua contribuição!
Amor e luz!
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